
Fundo-me na ilusão e sinto o momento.
A cegueira tapa-me os olhos com a sua cortina de fumo cerrado.
Continuas a aparecer por detrás do espelho.
Continuas a aparecer por detrás do espelho.
Sinto o teu odor, passo os meus dedos por entre o teu rosto.
Sinto-te vivo aqui e agora,
e só nesse momento,
confortavelmente contigo,
estou onde quero estar.
A tua sombra é o meu abrigo.
As garras do meu viver abrem-se com a tua presença.
Não entendes,
Não falas,
Não ouves,
Não vês, Nunca viste.
Escondes-te na tua concha impenetrável.
Conseguir despertar de novo, não chega a existir.
O turbilhão continua a perpetrar o desconhecido,
faz-me dar voltas e voltas e voltas,
e caio,
simplesmente.
Sem forças para erguer os olhos.
Se os erguesse, estarias lá?
Sei que não.
A navalha crava-se
no meu sangue.
E não há pele.
E não há ossos.
Há o desistir,
há a incompreensão do que foi,
e há uma certeza.
Não será.
2 comentários:
Oi! Gostei, mas preferia a primeira versão. Tinha mais força, parecia mais espontâneo..., mas mesmo assim as ideias principais continuam.
bj!
Olá baixinha, quem te disse que nunca será? Do rebolar da vida nem podemos falar. Gostei, e voltarei para olhadas mais profundas... Beijos
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