29 de Setembro de 2007

Estranhos



Fundo-me na ilusão e sinto o momento.
A cegueira tapa-me os olhos com a sua cortina de fumo cerrado.
Continuas a aparecer por detrás do espelho.
Sinto o teu odor, passo os meus dedos por entre o teu rosto.
Sinto-te vivo aqui e agora,
e só nesse momento,
confortavelmente contigo,
estou onde quero estar.
A tua sombra é o meu abrigo.
As garras do meu viver abrem-se com a tua presença.
Não entendes,
Não falas,
Não ouves,
Não vês, Nunca viste.
Escondes-te na tua concha impenetrável.
Conseguir despertar de novo, não chega a existir.
O turbilhão continua a perpetrar o desconhecido,
faz-me dar voltas e voltas e voltas,
e caio,
simplesmente.
Sem forças para erguer os olhos.
Se os erguesse, estarias lá?
Sei que não.
A navalha crava-se
no meu sangue.
E não há pele.
E não há ossos.
Há o desistir,
há a incompreensão do que foi,
e há uma certeza.
Não será.

19 de Setembro de 2007

innocence

Cometi pecados que quero confessar-te

És a sombra que me toca a cada instante em que não sou mais

Tua.

Conheço a essência que te transportou para o outro lado,

Desmascaras-me com um olhar.

Flutuo em ondas sem rede por baixo.

A minha mente é um caos pouco sólido.

I´m no guilty.

13 de Setembro de 2007

Conversa(s) de café

"Quarta-feira, dia 12 de Setembro, pelas 21.30 horas, no Café Concerto, é projectado o filme “Jaime”, da autoria António Reis, seguido de uma tertúlia com o médico psiquiatra Pissarra da Costa, o músico Victor Afonso e o enfermeiro António Baptista. Esta actividade é promovida pelos enfermeiros Pedro Renca e António Vasconcelos, com o apoio do TMG, inserida na iniciativa “A arte na desmistificação da doença mental”. A entrada é livre.Jaime (1974) é um filme documentário português de curta metragem de António Reis que retrata a vida do doente mental Jaime Fernandes (esquizofrenia paranóica), internado no hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa. É o relato do labirinto interior de Jaime e do exterior que o rodeia, a harmonia que lhe escapou: o sentido das origens, as imagens do seu passado distante, as presenças de um universo ausente, o das terras de Barco, da Beira Baixa, que cedo a cidade lhe roubou. Busca isso nos desenhos que desenha, nas pinturas que pinta. E assim descobre, na força dos traços e no enigma das cores, aquilo a que teve de renunciar: ele próprio, num lugar que deixou de existir. Existir e não existir, real e imaginário são formas de ser que só pela imagem ele consegue fazer viver. Homem sombra no meio das sombras, flamejando: perfis, cores, gritos. A clausura total dentro do espelho."
in blog TMG





Sou fascinada por arte qualquer que seja a sua forma de expressão, mas a pintura toca-me como nenhuma outra. Os traços, as dimensões, as cores, as dinâmicas, o real/concreto, as representações, a utopia, mergulhar num mundo obscuro da mente humana é simplesmente fantástico. Dar sentido ao que se vê, tentando perceber o que se viveu no momento em que se realizou, magia, puramente magia.



Vi quadros associados a palavras intensas, ouvi oradores com opiniões claras, ou nem tanto, mas todas igualmente importantes. Surpreendi-me por uma pessoa, que penso agora ter sido arrogante em pensar que a conhecia, e que me pareceu ter tanto para dar. Pode até tocar a loucura, mas tocou de certa forma a genialidade. Fui plateia privilegiada, senti-me assim por poder respirar cultura, por ter tido acesso àquele momento, por talvez pensar que consegui compreender muito do que foi dito, mas mais ainda por me sentir absorvida por cada palavra dita, cada ideia transmitida. A arte é arte, independemente de quem a produz. Os dotados são bafejados independentemente de sofrerem de patologias ou não. A doença existe independentemente de transmitir genialidade à loucura. Serão os loucos felizes? Por serem indiferentes a juízos de valor? Por adquirirem uma margem de desconto pela sociedade? Serão capazes de se integrarem socialmente através da arte? Arte não é arte quando a quer ser. Será pela invulgaridade, coesão, unicidade da obra, que transmite aos olhos o que é quase invisível. A Arte manifesta-se no limite dos afectos, das emoções, daí a saúde mental, com a sua especificidade clinica pode originar periodos de forte produçõa artística.



Respirar cultura é simplesmente sentir-me viva, sentir que o sangue continua a pulsar nas veias...



12 de Setembro de 2007

Jorge Palma - Encosta-te a mim



"Encosta-te a mim
Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.
Chegado da guerra,
fiz tudo p´ra sobreviver em nome da terra,
no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói,
não quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim"

Jorge Palma

3 de Setembro de 2007

27

Os 27 já se instalaram confortavelmente. Começo a sofrer com antecedência a sua entrada! Sou sempre assim, deprimo quando penso que vou fazer anos. O facto de pensar... mais um ano, os mesmos objectivos por cumprir, a mesma instabilidade no meu próprio comportamento, nos amores&desamores, no trabalho e inclusive na familia, que tinha por hábito ser o meu maior porto de abrigo... mas sobrevive-se. Estou aqui, em busca incessante, esperando que a nova idade me traga o equilíbrio desejado...




"Símbolo que reflete o estado de interdependência

das duas polaridades básicas do universo.

Uma está contida na outra,

giram em torno de si,

completam-se e integram uma formação

que transcende a dualidade."




Também eu dependo de outras faces, moldando-as também. É por isso que todos me fazem falta, para completar o meu pequeno mundo, para organizar o meu eu, em função de vós, que dependem de certo de modo de mim, como um ciclo vicioso, ainda tenho o teu vicio em mim... Obrigada a todos...

1 de Setembro de 2007

+ férias...

Nestes dias de ausência bloguística, tive momentos com muita vontade de partilhar na escrita várias situações. Não tendo oportunidade antes, desenfreadamente tento organizar agora as ideias. Falar de férias é trivial, mas é parte integrante! Estar na praia e sobretudo conhecer novos lugares, andar, descobrir é o que mais me motiva.



Algarve!


Gostei de conhecer, tem praias lindas, sem dúvida! O clima quente é o mais apetecível, o mar calmo e tranquilo, o mais sedutor! É aparentemente inocente quando se pensa nas perdas vividas entre as suas ondas, porém aquela imensidão eterna, incontrolável, é fonte inspiradora para os desejos mais escondidos, contidos ou talvez não. Se houver uma próxima oportunidade será noutra praia, mais convidativa, mas torna-se sempre positivo desbravar terreno!


Oportunidade de ler um pouco, andava e ando bastante preguiçosa para ler (mea culpa). Mas consegui terminar o livro destinado. Uma história simples, plena de aventuras concretas, conquista do Chile, com sangue, suor e lágrimas, mas com alguma veia sensual à mistura. A Inés da Minha Alma, tornou-se um pouco a heroína que várias vezes ambiciono, nos meus dias mais inspirados...