"Quarta-feira, dia 12 de Setembro, pelas 21.30 horas, no Café Concerto, é projectado o filme “Jaime”, da autoria
António Reis, seguido de uma tertúlia com o médico psiquiatra Pissarra da Costa, o músico Victor Afonso e o enfermeiro António Baptista. Esta actividade é promovida pelos enfermeiros Pedro Renca e António Vasconcelos, com o apoio do TMG, inserida na iniciativa “A arte na desmistificação da doença mental”. A entrada é livre.Jaime (1974) é um filme documentário português de curta metragem de António Reis que retrata a vida do doente mental Jaime Fernandes (esquizofrenia paranóica), internado no hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa. É o relato do labirinto interior de Jaime e do exterior que o rodeia, a harmonia que lhe escapou: o sentido das origens, as imagens do seu passado distante, as presenças de um universo ausente, o das terras de Barco, da Beira Baixa, que cedo a cidade lhe roubou. Busca isso nos desenhos que desenha, nas pinturas que pinta. E assim descobre, na força dos traços e no enigma das cores, aquilo a que teve de renunciar: ele próprio, num lugar que deixou de existir. Existir e não existir, real e imaginário são formas de ser que só pela imagem ele consegue fazer viver. Homem sombra no meio das sombras, flamejando: perfis, cores, gritos. A clausura total dentro do espelho."
in blog TMG



Sou fascinada por arte qualquer que seja a sua forma de expressão, mas a pintura toca-me como nenhuma outra. Os traços, as dimensões, as cores, as dinâmicas, o real/concreto, as representações, a utopia, mergulhar num mundo obscuro da mente humana é simplesmente fantástico. Dar sentido ao que se vê, tentando perceber o que se viveu no momento em que se realizou, magia, puramente magia.
Vi quadros associados a palavras intensas, ouvi oradores com opiniões claras, ou nem tanto, mas todas igualmente importantes. Surpreendi-me por uma pessoa, que penso agora ter sido arrogante em pensar que a conhecia, e que me pareceu ter tanto para dar. Pode até tocar a loucura, mas tocou de certa forma a genialidade. Fui plateia privilegiada, senti-me assim por poder respirar cultura, por ter tido acesso àquele momento, por talvez pensar que consegui compreender muito do que foi dito, mas mais ainda por me sentir absorvida por cada palavra dita, cada ideia transmitida. A arte é arte, independemente de quem a produz. Os dotados são bafejados independentemente de sofrerem de patologias ou não. A doença existe independentemente de transmitir genialidade à loucura. Serão os loucos felizes? Por serem indiferentes a juízos de valor? Por adquirirem uma margem de desconto pela sociedade? Serão capazes de se integrarem socialmente através da arte? Arte não é arte quando a quer ser. Será pela invulgaridade, coesão, unicidade da obra, que transmite aos olhos o que é quase invisível. A Arte manifesta-se no limite dos afectos, das emoções, daí a saúde mental, com a sua especificidade clinica pode originar periodos de forte produçõa artística.
Respirar cultura é simplesmente sentir-me viva, sentir que o sangue continua a pulsar nas veias...